Ventos

Oh! Ventos bravios que passam enviados pelo mar,
que ouço ranger nas janelas à noite, levando o calor,
leva contigo, no embalo das palmeiras que vejo curvar,
meus versos, que traduzem minha saudade e meu amor.

Leva, por entre as montanhas e através do planalto,
o perfume suave da flor em meu coração cultivada,
que nada jamais o detenha, nem a rocha nem o mato,
e oscule essa brisa suave no rosto de minha distante amada.

Diga-lhe, acariciando seus cabelos negros, o quanto eu sofro,
conte-lhe, refrescando sua pele macia, quantas noites passei
de infinitas insônias, observando a lua cair por sobre o morro,
lembrando nossas tardes de namoro, tanto amor, meu Deus, só eu sei.

Depois parta, cantando baixinho, para os vales, os rios, as fontes,
deixando com ela a saudade de alguém que viver sem ela não sabe como,
para, quando um dia a encontrar, não seja jamais como era antes,
que me beije, me abrace, me ame e me ouça dizer: eu te amo!


Autor: Lupércio Mundim - Todos os direitos reservados!



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